Foi bom enquanto durou…

… Mas, já que tudo na vida muda (ou quase tudo), este blog está encerrando suas atividades. Agradeço muito quem esteve por aqui – de passagem ou com frequência – e prestigiou todo o trabalho feito com tanta dedicação. E fica aqui um convite: quem quiser pode fazer uma visitinha ao meu novo blog – http://jornaldepoeta.wordpress.com. Abraços! Até mais!

Ninjas “invadem” Metrô de São Paulo

Apresentação de tambores japoneses e artes marciais agitou a estação Tatuapé

Texto e fotos: Karina Monteiro

No último dia 10, quem passou pela estação Tatuapé do Metrô, da Linha 3 – Vermelha,
presenciou cenas diferentes das habituais. Para comemorar o aniversário do
Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, o Metrô abriu suas
portas para receber apresentações típicas da cultura oriental.
Um grupo de Taiko (músicos que tocam tambores japoneses), abriu a apresentação,
em seguida, houve a presençade números de Ninjutsu (arte marcial japonesa).
Os ninjas literalmente "invadiram" o Metrô de São Paulo. 
O grupo "Himawari Taiko", responsável pela performance com os tambores,
era formado por 3 jovens  rapazes e 2 garotas que esbanjaram simpatia na
tradicional apresentação. O som dos tambores japoneses veio de encontro com
o ritmo frenético do Metrô de São Paulo em pleno horário de pico. Apesar da
chuva que caía do lado de fora e do estresse paulistano, os usuários esqueceram
dos problemas e admiraram asurpresa. 
Já o grupo de Ninjtsu faz parte da escola "Genbukan Nenriki Dojo", uma das maiores
do país e levou um grupo de ninjas para estação Tatuapé. O evento chamou a
atenção de quem passava pelo local. Crianças olhavam fascinadas
para os ninjas e suas performances, antes só vistas em desenhos animados e filmes.
Os usuários gostaram da novidade e pediram mais apresentações. Para dar
continuidade na comemoração do centenário, haverá um show de danças típicas
japonesas no próximo dia 23 de abril, às 12h30, na estação São Bento do Metrô.


Ninjas no metrô

Nikkey Matsuri
Para quem quer conferir mais sobre a cultura japonesa, nos próximos dias 26 e 27
de abril, haverá o 3º Nikkey Matsuri, um festival japonês que unirá danças folclóricas,
barracas de comidas típicas, números de
artes marciais, entre outras tradições orientais. O evento acontece no Clube Escola
Jardim São Paulo (rua: Viri, 425), ao lado da estação Jardim São Paulo do Metrô,
com entrada gratuita.



Tambores

O fim do mundo é pop

EM CIMA DA HORA

EXPOSIÇÃO

“Começos do fim do mundo” é o nome da exposição que o ilustrador e artista plástico Daniel Caballero apresenta na Galeria Pop, em São Paulo, até o dia 15 de março. A violência e o caos das grandes metrópoles se revelam nos mais diversos materiais, num diálogo que se apropria de referências como a mídia e a filosofia.

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Imagens: Divulgação

Caballero utiliza técnicas variadas para compor o seu trabalho. Pintura, colagem, graffitti e fotografia fazem parte do cenário. A Galeria Pop (Rua Doutor Virgílio de Carvalho Pinto, 297, Pinheiros) funciona de segunda a sexta, das 13h às 20h, e aos sábados, das 11h às 18h. A entrada é franca.

SHOW

Natalia Mallo está lançando o seu CD solo, “Qualquer Lugar”, no Teatro Opera Buffa, na Praça Roosevelt. Vocalista da ótima Trash Pour4, ela também canta um tango na banda Gato Negro e faz trilhas sonoras para cinema, teatro e dança. E ainda encontra tempo para cozinhar – outra de suas paixões. Veja o blog dela sobre gastronomia: www.fomedecomer.blogspot.com

Você pode conferir o show nesta e na próxima quinta-feira, às 21h, na Praça Roosevelt, 82. Fone: (11) 3237-1980

 

ARTE

ARCO 2008 – Brasil

 

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Obra “Kinetic Object C – 15, de Abraham Palatnik

 

Ministério da Cultura e a Fundação Athos Bulcão realizam a maior manifestação de arte contemporânea brasileira já vista, com mais de 150 artistas em Madri, de 13 a 18 de fevereiro de 2008.

A ARCO 2008, uma das mais importantes feira de arte contemporânea da atualidade, terá nesta edição o Brasil como país homenageado. Para marcar este fato, o Ministério da Cultura do Brasil está destinando R$ 2,6 milhões, para, em parceria com a Fundação Athos Bulcão, realizar uma série de eventos – exposições, performances, mesas-redondas, mostra de filmes e lançamento de publicações. As mostras reunirão trabalhos de mais de 150 artistas contemporâneos brasileiros, resultando na maior manifestação já registrada da produção contemporânea brasileira.

A Fundação Athos Bulcão é a entidade encarregada pela organização da participação do Brasil como país convidado na ARCO 2008. Criada em 1992 para documentar, preservar e difundir as obras do modernista Athos Bulcão, a instituição é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos e de interesse público, que desenvolve atividades relacionadas às artes e à formação cultural de adolescentes e jovens.

A coordenação de produção é de Luiza Mello, da Automática.

A participação oficial brasileira engloba diversas mostras e intervenções. A maior exposição tem curadoria de Paulo Sergio Duarte e Moacir dos Anjos, e ocupará uma área de 1 mil metros quadrados no Pavilhão 14, reunindo 108 artistas brasileiros, representados por 32 galerias – que estão tendo custo zero nesta operação – , em organização espacial projetada pela arquiteta Marta Bogéa.

O método de escolha dos dois curadores inverteu a lógica comercial de uma feira como a ARCO, que reúne galerias do mundo todo. Eles escolheram inicialmente os artistas. Após uma extensa lista, foram retirando os que já estariam em outras mostras em Madri, e privilegiando os que viviam e trabalhavam no Brasil. Chegaram, então, a 108 nomes. Só então foram ver que galerias os representavam. Os que não tinham representação foram absorvidos por algumas galerias.

Este método permitiu que a representação brasileira tivesse uma abrangência muito maior, refletindo a diversidade do país, não apenas do ponto de vista geográfico, como de geração, com artistas novos e maduros, e, finalmente, de meios de expressão, com pintura, desenho, escultura, fotografia, vídeo, instalação e performance”, afirma Moacir dos Anjos.

Durante o evento haverá o Pavilhão Brasil (Pavilhão 14), formada de 32 galerias com dezenas de artistas de vários estados brasileiros, dentro do programa Performing ARCO, serão realizadas performances dos artistas Marco Paulo Rolla, Cabelo, Franklin Cassaro (+Daniele Dal Col). Haverá ainda mesas-redondas, mostas paralelas, “Panorama da Arte Brasileira 2007 – Contraditório”, na Sala de Exposições Alcalá 31, localizada no imponente edifício histórico que sedia o Conselho de Cultura e Turismo da cidade, sob a curadoria é de Moacir dos Anjos, e a mostra esteve em outubro passado no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Ainda conta com intervenções, mostra de vídeos, música, ciclo do cinema brasileiro, entre outras produções culturais brasileiras levadas ao conhecimento do público estrangeiro.

Revista Brasil Arte Contemporânea – País homenageado na 27ª edição da ARCO, o Brasil leva para Madri o melhor da sua produção contemporânea. Entre a programação paralela montada pelo Ministério da Cultura do Brasil em parceria com a Fundação Athos Bulcão para a ocasião está a edição da Revista Brasil Arte Contemporânea. Produzida pelo MinC para a ocasião, circulação exclusiva no espaço da feira, a publicação pretende contribuir com o processo de internacionalização da produção, circulação e consumo da arte contemporânea brasileira, fortalecendo e construindo laços culturais e econômicos entre galeristas, colecionadores, críticos, curadores e artistas nacionais, espanhóis e de outros países.

www.cultura.gov.br/brasil_arte_contemporanea, o fórum de discussão programado para o dia 17 de fevereiro e uma série de ações editorais planejadas para os próximos meses.

Revista Brasil Arte Contemporânea, com lançamento dia 13 na ARCO – distribuição exclusiva no Pavilhão 14 (Brasil).10 mil exemplares, com 64 páginas, no formato 21×28cm

Site: www.cultura.gov.br/brasil_arte_contemporanea

 

Fonte: Portal Fator Brasil

EM CIMA DA HORA

A Arte no Metrô – confira!

Estação Tucuruvi

PAX ET PANIS – de 10.02.2008 a 29.02.2008

A exposição apresenta a trajetória do pão, vista a partir da história dos povos e seu significado enquanto um dos mais importantes fenômenos culturais da humanidade associado à paz. São cerca de 70 imagens e textos sob curadoria do fotógrafo Paulo Braga, especializado em fotografia culinária e autor do livro O Pão da Paz.

Realização: Sesc Ipiranga

 

Estação Jardim São Paulo

VALHA-ME SÃO PAULO – de 10.02.2008 a 29.02.2008

O artista plástico Eliardo França, pintou em nas suas aquarelas, figuras humanas recriadas dentro de uma visão crítica da cidade de São Paulo.

Produção Executiva: Cláudia Lopes

Curadoria: Enock Sacramento

Realização: Centro Cultural Banco do Brasil e Metrô de São Paulo

 

Estação Tiradentes

PRESÉPIOS PORTUGUESES – de 1º.02.2008 a 29.02.2008

Mostra de cinco presépios portugueses em terracota, que remontam ao artesanato tradicional de Portugal.
Realização: Metrô de São Paulo e Museu de Arte Sacra de São Paulo

Apoio: Fundação Mapfre Brasil e Ultrak Tecnologia de Segurança

 

Estação Luz

ESCRITORES BRASILEIROS – MACHADO DE ASSIS – de 10.02.2008 a 29.02.2008

Primeira exposição da série Escritores Brasileiros, apresenta Joaquim Maria Machado de Assis

considerado um dos maiores autores da literatura de língua portuguesa, cuja obra abrange,

praticamente, todos os gêneros literários.

Realização: Metrô de São Paulo

Apoio Cultural: Editora Martin Claret

Imagens: Reminiscências – Pesquisa e Produção Cultural, Biblioteca José e Gita Mindlin

Fotos: Lúcia M. Loeb

 

Espaço Design – Estação São Bento

MESTRE JORGE – ESCULTURAS – de 10.02.2008 a 29.02.2008

Jorge Brandão Coutinho, conhecido como Mestre Jorge, trabalha exclusivamente com madeira e desenvolve uma poética pessoal, que permeia toda sua obra, documentando a vida do povo brasileiro em seus afazeres diários e momentos de lazer.

Curadoria: Enock Sacramento e Christophe Spoto

Produção executiva: Arte Impressa Comunicação & Imagem

Realização: Metrô de São Paulo e Secretaria de Cultura de Araraquara

 

Estação São Bento

PINTANDO ALEGRIA E CELEBRANDO A VIDA – de 10.02.2008 a 29.02.2008

Nesta exposição você vai poder apreciar obras de arte do artista plástico pernambucano Romero Britto. Suas obras, em cores vibrantes e formas geométricas, transmitem alegria e otimismo.

Realização: Galeria Romero Britto

 

Estação Liberdade

VITRINE DE IKEBANA – de 1º.02.2008 a 29.02.2008

O ikebana tradicional em sua forma mais simples, representa o céu, a terra e o homem.

Patrocínio: Yakult

 

Estação Alto do Ipiranga

A CIDADE E SEUS BAIRROS – IPIRANGA: O BAIRRO DO GRITO! – de 1º.02.2008 a 29.02.2008

Exposição que resgata, em parte, a história do bairro do Ipiranga, a partir das trilhas dos índios – hoje caminho do mar – até a transformação do bairro a partir dos anos de 1960.

Realização: Metrô de São Paulo

 

ESCRITORES BRASILEIROS – IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO – de 10.02.2008 a 31.02.2008

Terceira exposição da série Escritores Brasileiros, apresenta Ignácio de Loyola Brandão, autor de 27 livros, entre romances, contos, crônicas e viagens. Tendo como temas centrais a ditadura militar e o exílio, sua obra romanesca faz uma crítica amarga da sociedade brasileira mas fala sobre amor e solidão, tendo como pano de fundo o cotidiano da cidade de São Paulo.

Realização: Metrô de São Paulo

Apoio Cultural: Editora Global; Cadernos de Literatura Brasileira do Instituto Moreira

Salles.

 

Estação Ana Rosa

ABRIGOS DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE ENERGIA E SANEAMENTO – de 10.02.2008 a 29.02.2008

Exposição composta por painéis com imagens do início do século XX, que mostram o papel da energia elétrica e do saneamento no processo de crescimento industrial e urbano do Estado de São Paulo.

Realização: Fundação Patrimônio Histórico da Energia e Saneamento

 

Estação Paraíso

ESCRITORES BRASILEIROS – MARIO QUINTANA – de 10.02.2008 a 29.02.2008

Segunda exposição da série Escritores Brasileiros, apresenta Mario Quintana, um poeta de

excepcional delicadeza, de simplicidade e complexidade simultâneas, revelando através de seu

trabalho a visão lírica da aventura humana.

Realização: Metrô de São Paulo

Apoio Cultural: Editora Global e Casa de Cultura Mário Quintana

Imagens: Casa de Cultura Mario Quintana, Liane Neves e Leonid Straliev

 

Estação Trianon-MASP – Vitrine do MASP

ANATOL WLADYSLAW de 10.02.2008 a 29.02.2008

Desenhos, pinturas e gravuras do artista plástico Anatol Wladyslaw que é tido como referência do concretismo brasileiro faz parte desta mostra promovida pelo MASP.

Apoio Cultural: Fundação Mapfre Brasil

 

Estação Clínicas

O GUARANY – Carlos Scliar – de 10.02.2008 a 29.02.2008

Esta exposição de serigrafias é inspirada na ópera “O Guarani” de Carlos Gomes.

Produção Executiva: Cláudia Lopes

Curadoria: Enock Sacramento

Realização: Centro Cultural Banco do Brasil e Metrô de São Paulo

 

A ZOOLOGIA NA ARQUITETURA – de 1º.02.2008 a 29.02.2008

Exposição com fotografias de autoria de Wagner Souza e Silva, que reproduzem figuras de animais presentes nas fachadas e no interior do edíficio do Museu de Zoologia, o primeiro prédio concebido para abrigar um museu em São Paulo.

Realização: Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo

 

REVELANDO BASTIDORES – de 1º.02.2008 a 29.02.2008

O fotógrafo Ronaldo Aguiar, clicou o cotidiano,os bastidores e o trabalho de pesquisa e ensino no Museu de Zoologia.

Realização: Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo

 

Estação Sé

CENTENÁRIO DA ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO – de 01.02.2008 a 29.02.2008

Exposição de fotos e documentos históricos, que destaca a presença da Igreja Católica na história da cidade de São Paulo. Além de mostrar a urbanização da Praça da Sé, desde o projeto arquitetônico de 1747, aborda temas como escravidão, arquitetura religiosa, imigração, Revolução de 1924 e traz curiosidades, como o registro de casamento mais antigo da cidade (1632).

Realização: MITRA Arquideocesana de São Paulo

 

REFLEXÕES SOBRE TARSILA DO AMARAL – de 12.02.2008 a 29.02.2008

A mostra reúne artistas plásticos que fazem uma releitura da vida e obra da artista plástica Tarsila do Amaral.

Produção Executiva: Rose de Paulo

Curadoria: Mali Frota Villas-Bôas

Realização: Galeria Mali Villas-Bôas e Metrô de São Paulo

 

Estação Corinthians-Itaquera

REFRUTANDO: ENSAIO FOTOGRÁFICO CONJUGA EMOÇÕES HUMANAS E NATUREZA – de 10.02.2008 a 29.02.2008

Frutas desmaterializadas e transfiguradas, mostram o resultado do ensaio fotográfico de Edson Fragoaz. Intervenções, que priorizam contraste, saturação de cores, ampliação de texturas e volume.

 

39° BATALHÃO DA POLÍCIA MILITAR – de 10.02.2008 a 29.02.2008

No aniversário dessa Instituição, conheça um pouco da história do batalhão que serve as comunidades do bairro de Itaquera, Guaianases e Artur Alvim (COHAB I) há 3 anos.

 

Estação Largo Treze

MESTRE JORGE – ESCULTURAS – de 10.02.2008 a 29.02.2008

Jorge Brandão Coutinho, conhecido como Mestre Jorge, trabalha exclusivamente com madeira e desenvolve uma poética pessoal, que permeia toda sua obra, documentando a vida do povo brasileiro em seus afazeres diários e momentos de lazer.

Curadoria: Enock Sacramento e Christophe Spoto

Produção executiva: Arte Impressa Comunicação & Imagem

Realização: Metrô de São Paulo e Secretaria de Cultura de Araraquara

 

A CIDADE E SEUS BAIRROS – SANTO AMARO – de 1º.02.2008 a 29.02.2008

Exposição que resgata parte da história deste bairro em seis tópicos: As Origens; Quem Fez e Faz Parte da Região; A Cidade que Vira Bairro; Viver em Santo Amaro; Ir e Vir de Santo Amaro e ao Longo do Século XX.

Realização: Metrô de São Paulo

 

Estação Vila das Belezas

ESCRITORES BRASILEIROS – CORA CORALINA – de 10.02.2008 a 29.02.2008

Nasceu Ana, que virou Cora, identidade que a diferenciava de tantas Anas de sua cidade, batizadas em homenagem à santa padroeira. Depois, juntou Coralina, soma perfeita de sonoridade e tradução literária, mostrando-se para o mundo como ela sempre foi: uma mulher a frente do seu tempo, incansável e batalhadora, cuja obra literária é homenageada dentro da série Escritores Brasileiros.

Realização: Metrô de São Paulo

Apoio Cultural: Editora Global

 

Estação Campo Limpo

HÁBITOS SAUDÁVEIS DE VIDA COMBATEM A OBESIDADE – de 10.02.2008 a 29.02.2008

A exposição é o resultado de pesquisas realizadas pelo corpo técnico do Hospital das Clínicas, cujo objetivo é alertar para os riscos da obesidade e mostrar como hábitos saudáveis podem ajudar a prevenir e melhorar a qualidade de vida.

Realização: Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo- HCFMUSP

 

Estação Capão Redondo

RUPESTRES – Siron Franco – de 10.02.2008 a 29.02.2008

Serigrafias do artista plástico Siron Franco, criadas a partir das pinturas rupestres da Serra da Capivara e de outras regiões do Brasil, que revelam um rico passado artístico.

Produção Executiva: Cláudia Lopes

Curadoria: Enock Sacramento

Realização: Centro Cultural Banco do Brasil e Metrô de São Paulo

SE LIGA!

Bruxo à solta

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Acima, imagem presente no “Dicionário Machado de Assis”

O próximo ano será marcado pelas ‘assombrações’ do “Bruxo do Cosme Velho”. Em setembro de 2008, terão se passado exatos 100 anos da morte daquele que foi, ao menos para a imensa maioria dos brasileiros, o maior escritor que o país já teve. E as editoras não deixarão passar a data em brancas nuvens.

Para comemorar o centenário de Machado de Assis, já começam a circular uma série de títulos em sua homenagem. Entre eles, uma coletânea de ensaios, reedições de suas obras, um dicionário repleto de citações do autor e até a transcriação musical de um de seus contos. Confira:

“Dicionário Machado de Assis”
272 páginas
Preço não informado
CIA. ZAFFARI
2007

Produto de uma pesquisa realizada por profissionais da Pontifície Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUC/RS e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, o volume traz mil vinhetas, de A a Z, divididas por tema.

“História da Meia-Noite”
Machado de Assis
216 páginas
R$ 36
MARTINS FONTES
2007

“Sonata do Absoluto”
Eduardo Seincman (org.)
80 páginas
R$ 60
IMESP/EDUSP
2007

Juntos, no mesmo livro-CD, Machado de Assis (com o conto “Trio em Lá Menor”), Jorge Luis Borges (com “O milagre secreto”) e Edgar Allan Poe (com o emblemático poema “O Corvo”) são reinterpretados através da música. A organização é do compositor erudito Eduardo Seincman.

ACONTECEU

Maior evento literário a céu aberto da América Latina chega a 53ª edição

 

A mais antiga feira do gênero no país, e uma das mais importantes, já é uma tradição gaúcha, extravasando a relação de amor dos rio-grandenses em relação aos livros.

 

Texto e fotos: Adriano Pereira

 

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A paixão pelo livro passando de pai para filho

Não é ‘apenas’ por seu tempo de existência ou pelos vultosos números que a acompanham (e que a colocam logo atrás das bienais do Rio de Janeiro e São Paulo). Também chama a atenção o carinho especial com que os gaúchos tratam o livro. Num Estado onde a cultura é tão bem tratada – veja a matéria sobre os museus brasileiros, entre os quais se destaca a Casa de Cultura Mário Quintana), era mesmo de se esperar que a 53ª Feira do Livro de Porto Alegre (26/10 a 11/11), provocasse um grande frenesi em Porto Alegre. O clima de feira a céu aberto, em plena Praça da Alfândega, também dá ao evento um charme todo especial.

A organização é da Câmara Rio-Grandense do Livro. Além de oferecer ao público milhares de títulos nacionais e estrangeiros, a feira disponibiliza centenas de encontros de autores, espetáculos, oficinas e outras atividades culturais de entrada livre. Sua primeira edição aconteceu em 1955 idealizada pelo jornalista gaúcho Say Marques.

Quando a feira surgiu, a intenção era popularizar o livro e movimentar o mercado livreiro da cidade e do Estado, oferecendo assim, para quem visitasse o local, um desconto significativo nas obras literárias. Nessa época, as livrarias gaúchas só eram freqüentadas por aqueles com maior poder aquisitivo, e mesmo assim somente no início do ano escolar, para compra de material didático. Por isso o lema dos fundadores da Feira do Livro era: “Se o povo não vem à livraria, vamos levar a livraria ao povo”.

A essência do evento, então, é trazer o livro para perto do cidadão. As bancas são colocadas no meio da praça mais tradicional da cidade para que o leitor possa tocar e sentir os livros antes de comprá-los. Outra característica da Feira é de aproximar escritores e leitores. Para isso, são feitas sessões de autógrafos, para que o leitor então possa conhecer o autor da obra que irá ler e até bater um papo com ele.

Pelo fato do evento ser feito sempre em uma praça no período entre outubro e novembro, a chuva acaba sendo um imprevisto enorme para os organizadores e visitantes da Feira. Uns acham até que o local deveria migrar para um lugar coberto, como diz a consumidora e administradora Heloísa Amaral. “Acho que hoje o estacionamento de um shopping ou um ginásio esportivo seria um lugar mais apropriado, pois as pessoas teriam lugares para estacionar seus carros e não teriam que andar na feira de guarda-chuva”.

Mas há também os que dizem que a Praça da Alfândega é o lugar perfeito para a feira, como o aposentado Clóvis Oliveira. “O centro ainda é o local mais acessível da cidade e a praça é um lugar que as pessoas podem passear à vontade com seus familiares e ainda reencontrar velhos amigos”, declarou.

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Música clássica na Feira do Livro

O patrono da Feira do Livro em 2007 foi o jornalista, escritor e ex-vice-governador do Rio Grande do Sul, Antônio Carlos Hohlfeldt, que tem no currículo 17 obras infanto-juvenis e 23 livros de ensaios. Hohlfeldt é formado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com mestrado e doutorado em literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, onde leciona.

Este ano na praça, circularam em torno de um milhão e novecentas mil pessoas, 200 mil a mais do que na edição anterior. A Feira vendeu 459.521 livros, sendo 117.898 infantis. Também foi divulgado o ranking dos livros mais vendidos. Na categoria ficção, o mais procurado foi A Menina que Roubava Livros (Markus Zusak); em não-ficção, As Melhores Piadas do Cafezinho (Ramiro Ruschel e Mauro Borba); em auto-ajuda, O Segredo (Rhonda Byrne); e o destaque da obra infanto-juvenil foi Harry Potter e as Relíquias da Morte (J. K. Rowling).

Muitas pessoas não tem intenção de comprar livros na feira e apenas passeiam pelo evento. Outros acabam se surpreendendo e comprando algum livro inusitado, como é o caso do aposentado Valmor Pereira. “Não tenho costume de comprar livros de culinária, mas me fascinei com este aqui”, confidenciou mostrando a obra “A Arte do Churrasco”, de Leon Hernandes.

Além da oferta variada de títulos, uma das grandes vantagens que a Feira oferece é o desconto mínimo de 10% em qualquer exemplar comercializado na Praça e em várias livrarias de Porto Alegre durante o período do evento. Esse desconto pode chegar até 30% dependendo do comerciante.

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Nos menores livros, as melhores palavras?

A cidade de Porto Alegre tem o maior índice de leitores do país. Enquanto no Brasil a média de leitura é de um livro por pessoa, na capital gaúcha é de cinco livros. Isso faz com que a Feira do Livro seja um evento grandioso e colabore culturalmente com a sociedade. Após cinco décadas, a Feira continua a ser o local de encontro da cidade com o livro, um ponto de convergência de toda a vida cultural do estado.

SE LIGA!

A grande biblioteca virtual brasileira vai desaparecer

“Ha coisas incríveis,” disse um amigo português, do outro lado do Atlântico, sem outra expressão para descrever sua perplexidade, ao receber a notícia tipicamente tupiniquim. Num país que tanto se queixa da falta de acesso à educação e à cultura, a rara iniciativa do governo federal no sentido de proporcionar arte, música e literatura de forma gratuita à população está para se extinguir – pasme – por falta de uso.

O Ministério da Educação criou um site onde qualquer um, de qualquer região do Brasil, pode ver grandes obras de mestres como Leonardo Da Vinci, escutar centenas de músicas em MP3 de alta qualidade e, ainda, ler livros inteiros, de Machado de Assis a Dante Alighieri, num total de 732 volumes (de literatura portuguesa). Sem contar nas histórias infantis, vídeos da TV Escola e muito mais – tudo de graça!

Vale repetir, o acesso a todo este acervo é GRATUITO, basta acessar o site. Mesmo assim, o projeto está para ser desativado por falta de uso, já que o número de visitas é muito pequeno. Incrível, mesmo…

Então, se não quer perder mais essa ferramenta cultural que está a seu alcance, visite o site, espalhe para os parentes, amigos – para os inimigos também -, vizinhos, colegas de trabalho – até os pentelhos -, enfim, para todos os que você conhece ou não. Anote:

www.dominiopublico.gov.br
Adicionar ao del.icio.us

É ARTE OU…?

 

É pra olhar ou pra comer?

A incrível arte que você leva pra casa… no estômago

 

Texto: Valéria de Sá

Você está andando pelos corredores do antigo castelo alemão, contemplando as obras da mais importante mostra de arte contemporânea do mundo, aquela que oferece “visões do futuro da arte”. De repente, alguém se aproxima e o convida para pegar um avião até a costa da Espanha e apreciar um novo tipo de arte, dentro de um restaurante! Sentado à mesa, tem diante dos seus olhos a “obra” ao lado. Algo que, após alguns instantes de fascinação, você deverá comer.

Não, não se trata da Eat Art (veja no box), mas de um novo conceito que está revolucionando a gastronomia, a relação das pessoas com a comida e todo o mundo da arte – tanto que um de seus principais representantes foi o primeiro a participar da Documenta, causando polêmica.

Documenta isso! É Arte Contemporânea!

Papel de flores

Acima, um dos pratos criados por Ferràn Adrià

O Fridericiano, primeiro edifício europeu construído com o propósito específico de ser um museu, estava com uma aparência bastante precária, afetado pelos bombardeios que atingiram a cidade de Kassel, durante a Segunda Guerra Mundial. Naquela ensolarada primavera de 1955, ainda nem tinha acabado de ser reconstruído, quando sediou o evento que surgia apenas como uma mostra paralela da Exposição Nacional de Jardinagem. Ninguém poderia imaginar, então, o sucesso extraordinário que ela viria ter. O diretor e idealizador da primeira edição da cinqüenal Documenta, Arnold Bode, já tinha, no entanto, metas ambiciosas: queria promover a reconciliação da opinião pública alemã com as correntes da arte moderna mundial depois dos anos de arte patrulhada pela Ditadura nazista. Esse projeto ganhou grande ressonância dentro e fora da Alemanha. A Documenta estabeleceu-se como um sismógrafo da arte contemporânea.

O segredo do sucesso da Documenta está no fato de que cada edição é tratada como um acontecimento único, independente. Para cada mostra é designado um novo curador e concebido um novo projeto. O diretor artístico desta 12ª edição, o curador alemão Roger M. Buergel, vai mostrar a arte de diversas regiões do mundo e de todos os meios de comunicação possíveis e imagináveis. Buergel não quer ver simplesmente uma fileira de obras de arte estanques.

A associação entre elas vai suscitar as seguintes indagações à arte e ao público: “A modernidade é nossa antigüidade?”, “O que é a vida nua e crua? ou “Cultura: o que deve ser feito?” Na edição que acontecerá entre 16 de junho a 23 de novembro de 2007, Buergel diz que a idéia é “sondar os limites do suportável”.

Contradizendo a crítica cultural, a organização do evento quer, como fez em outras edições, surpreender e sair do convencional. À frente de seu tempo, em 1977 a mostra incluiu as mídias cinema, fotografia e vídeo em seu repertório, além de convidar artistas da Alemanha Oriental, derrubando os limites que eram impostos pelo Muro de Berlim antes mesmo que literalmente isso acontecesse.

O Chef na galeria – está servido?

Dentro desse cenário, estarão as célebres invenções do chef catalão de 44 anos, Ferràn Adrià, natural da cidade espanhola de Hospitalet de Liohegat, cidadezinha dos arredores de Barcelona, na Espanha. O grande gênio da cozinha experimental ficou famoso por suas criações, tais como “bombons crocantes de algas”, “balas de azeite de oliva” e saleiro com névoa artificial aroma-tizada, e é dono de um dos melhores restaurantes do mundo, o El Bulli.

A Documenta nunca havia incluído um cozinheiro entre os convidados. A notícia de que Adrià, o “melhor do planeta” – título que lhe foi dado em 2002 e novamente agora pela revista inglesa Restaurant, uma das mais importantes do universo da Gastronomia –é um dos convidados da maior mostra de arte contemporânea do mundo, causou espanto no meio artístico. “Todos os artistas querem me cortar a garganta”, declarou o espanhol em entrevista à Revista Bravo! Para Adrià, essa forte reação deve-se ao fato de que a crítica cultural considera a gastronomia uma “estética sem linguagem”, portanto, não a reconhece como verdadeira arte. “O objetivo é demonstrar por que a cozinha pode ser arte”.

“Os cozinheiros sempre encararam a gastronomia como arte, como criação, como momento de sensibilidade. Mas nunca houve um reconhecimento como este que a Documenta proporciona. Agora irá se abrir o debate sobre a relação entre cozinha e arte”, opina o cozinheiro. “A cozinha tem pontos de conexão com o mundo e a linguagem de arte”, concluiu.

Surpreso com o impacto que o seu modo de “recriar” os alimentos vem causando, Adrià imagina que apenas sociólogos, antropólogos, jornalistas e críticos poderão compreender essa revolução que se passa no domínio do gosto da sociedade moderna. “Acredito que este debate é uma grande mudança, pois se reconhece um componente que não existia antes no universo do gosto – a investigação na cozinha e o conceito artístico no comer”, concluiu.

Mais que uma cozinha de base mediterrânea e concepções futuristas, Adrià gerou uma nova cultura gastronômica baseada no produto, no trabalho e na técnica. Gênio, mago, surpreendente, inovador, polêmico. Alguns desses adjetivos, quando não todos, sempre surgem quando o tema é Ferràn Adrià, o chef que vem virando a culinária de cabeça para baixo com sua cozinha totalmente fora dos padrões conhecidos, batizada de “desconstruída” ou da “desconstrução”.

Nela, cores, aromas, texturas e sons jogam continuamente com a imaginação. O impacto visual é forte. A cada minuto um matiz diferente se apresenta. O degustar tem ritmo e provoca sensações indiscritíveis. Tudo é inusitado – os coquetéis têm diversas temperaturas e texturas, as sopas são sólidas e os ravioles explodem na boca provocando uma sensação líquída, pratos complexos como a paella são sintetizados num único grão que você come e sente o seu exato gosto, as gelatinas são quentes, o sorvete é salgado. Cada um dos cana-pés, entradas, pratos e sobremesas que integram o menu degustação de Ferràn Adrià constitui uma provocação para os sentidos.

Ele diz que sua cozinha “tem forte inspiração catalã e é uma evolução moderna da culinária mediterrânea, com diferentes associações de seus ingredientes e técnicas de preparo. O estilo é resultado de uma investigação constante, produtos da estação de altíssima qualidade e uma técnica impecável”. Lembra que “embora a culinária tenha algo de magia, exige grandes doses de trabalho e que as receitas magistrais não surgem por arte de nenhum abracadabra”. Ele é um apaixonado pela cozinha que busca ter e dar prazer com seu trabalho.

E o tempero brasileiro não é mais o mesmo…

O mestre Adrià deixa discípulos por todo o mundo e um desses alunos é a chef Ana Zambelli, primeira brasileira a passar uma temporada no restaurante espanhol. Ana conseguiu realizar o sonho de grande parte dos chefs brasileiros.

Junto com uma geração de jovens chefs, ela esteve em todas as estações da cozinha do El Bulli e aprendeu como desconstruir alguns clássicos da boa mesa: misturar o quente e o frio na mesma proporção e usar o sifão de chantilly para criar espumas, como a de rabanada servida com banana flambada.

Ana aproveitou a oportunidade para apresentar um pouco da nossa culinária do dia-a-dia ao considerado “mago catalão”, que ficou encantado com o brigadeiro e os pãezinhos de queijo. Na época, os quitutes típicos de minas conquistaram espaço no concorridíssimo cardápio do restaurante.

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A chef Ana Zambelli

Em entrevista por e-mail com Ana Zambelli, ela nos relata toda sua experiência com o chef catalão Ferràn Adrià e fala sobre a gastronomia que pratica:

CONTEMPORÂNEA – Como surgiu a oportunidade de trabalhar com Ferràn Adrià?

ANA ZAMBELLI – Surgiu através de um e-mail despretensioso que mandei para ele em 2002, quando eu chefiava um restaurante em Ribeirão Preto (o Ciprestes). Mandei um e-mail e recebi a primeira resposta (a qual não pude ir, pois foi muito de imediato) e logo no final do ano fui convidada mais uma vez e fui.

C – Como era o seu dia-a-dia de trabalho no El Bulli?

A. Z – Era em escalas, nos primeiros três meses tínhamos dois dias de descanso, passando para um dia nos últimos três meses. Nos dias trabalhados, dia sim, dia não, entrávamos às 11h30 da manhã, apenas saindo às 00h30, às vezes 1h, com intervalo apenas de 15 minutos para almoço (um sanduíche) e 30 minutos de jantar. O sistema de trabalho dele é muito rígido, não sendo permitidas risadas na cozinha, nem brincadeiras fora de hora.

C – Você apresentou a Adrià nossa culinária? O que ele achou?

A. Z – Sim, um dia fiz feijoada para toda equipe (mais de 80 pessoas) e fiz pão de queijo a pedido dele. Ele e toda equipe adoraram.

C – Como você adaptou a “cozinha da desconstrução” de Adrià à culinária brasileira?

A. Z – Fiz pequenas adaptações, pois acredito que a maioria do povo brasileiro ainda não está pronta para preparações radicais como as que são feitas lá, apenas coloquei uma espumazinha aqui, uma emulsão ali, coisas bem sensíveis que despertem a curiosidade, porém que não causem muito choque.

C – Fale sobre o seu trabalho: existe uma definição do tipo de culinária que você pratica hoje? Você segue alguma linha em especial? Como você cria os pratos?

A. Z – Minha culinária é bem variada. Tem épocas em que crio coisas bem básicas, e outras, em que ouso um pouco. Gosto de fazer comidas respeitando o sabor de cada alimento, não gosto de misturas desproporcionais nem de temperos muito fortes. Valorizo as texturas e o sabor natural do alimento. Hoje, estou na parte mais administrativa de uma grande empresa de gastronomia, porém já com planos para voltar ao “fogão”. Crio meus pratos por alguma intuição, faço um “rabisco“ do que poderia ser a receita, e vou testando até chegar num prato final. Não sigo receitas de outras pessoas (muito difícil de acontecer isso, apenas com confeitaria, pois é uma área mais precisa).

C – A “cozinha da desconstrução”, e de forma mais específica a sua comida, tem sido bem aceita pelo público? Como você vê a relação entre esse tipo de culinária e o paladar do público brasileiro? Ele está preparado para a “novidade”? Quem são os seus apreciadores?

A. Z – Os que mais estão abertos são os que curtem gastronomia e os que têm o paladar curioso. A minha comida é muito bem aceita, pois faço dependendo do público. Se o público for mais gourmet, faço algo mais ousado, se for um público mais tradicional, coloco coisas bem sutis.

C – Hoje, as pessoas estão mais propensas a ver a gastronomia como uma fonte de arte do que antigamente? E você, particularmente, vê essa “nova cozinha” como arte?

A. Z – Acredito que a gastronomia entrou em um momento de inovação e que grandes chefs que têm a possibilidade (digo possibilidade, principalmente, financeira) de inovar e descobrir novas formas de cozinhar, estão em busca de novidades para a área. Antes somente pessoas sem instrução e que não podiam trabalhar em nada, entravam em uma cozinha. Hoje ser chef virou sinônimo de glamour, e acredito que isso seja por essa coisa artista em que os grandes chefs colocaram na gastronomia mais moderninha. Eu vejo como arte, pois primeiro você aprecia como um quadro para depois degustar. Tem alguns pratos que nos falta coragem de comer de tão bonitos que são, mas isso é uma coisa que poucos têm, ainda são poucos os que dominam a ARTE de desenhar um bom prato. Pois para ser considerado arte, ao meu ver, não adianta apenas ele ser bonito para se olhar e o sabor ser ruim. Deve para ser arte completa, bonito e gostoso.

C – Ferràn Adrià causou polêmica com sua ida à Documenta, uma mostra de arte. Como você vê esse fato inédito?

A. Z – Ferràn é um inovador. Não o considero um cozinheiro. Ele é um cientista da cozinha. Ele busca informações para poder se inspirar em seus pratos.

C – Quais são as possibilidades que estão se abrindo para a gastronomia brasileira e, de forma mais geral, para a gastronomia no mundo? Dá para vislumbrar alguma tendência que possivelmente se tornará determinante?

A. Z – Não acredito que a cozinha de Ferràn será uma tendência que ficará para sempre. Porém o considero um ícone, considero que ele abriu um caminho e os olhos de todos os cozinheiros do mundo para a modernidade, para as texturas, sabores leves, de alguma forma nos mostrou que é possível fazer uma cozinha leve (pois para comer 40 pratos … de seu menu …) e com sabor. Porém muitos, na busca da imitação, fazem isso parecer banal. Acho que a tendência gastronômica que permanecerá será a de uma cozinha leve com sabores marcantes e texturas exatas.

BOX

Eat Art é um movimento artístico surgido na década de 60, e consiste em comer, lamber ou devorar uma instalação. A obra não precisa ser comestível – o artista pode apenas misturar alimentos a seus trabalhos, como cascas de laranja, por exemplo. O principal foco do movimento fica em Paris, na França, onde foi aberta a primeira galeria dedicada com exclusividade ao tema. Entre quadros, painéis, afrescos e instalações, muitas de suas obras – já devoradas, foram feitas só com alimentos, como legumes, chocolates, etc.

EM CIMA DA HORA

Uma balada regada a música, teatro e livros

Juliana Leite

Se Paraty já tem a sua, a cidade mais baladeira do país não poderia ficar de fora. E, para boêmio nenhum reclamar, São Paulo ganha a partir de agora uma série de exposições, debates, performances, shows, peças de teatro e lançamentos de livros. É a Balada Literária, que reúne mais de 50 convidados – brasileiros e estrangeiros, escritores e músicos, fotógrafos e atores, boa parte da turma que integra a vibrante cena alternativa. A festa começou nesta quinta-feira e vai até domingo, dia 18, agitando ‘points’ culturais na Vila Madalena (Livraria da Vila, Mercearia São Pedro, Ó do Borogodó) e Praça Roosevelt (Espaço dos Satyros).

A idéia festeira foi do escritor Marcelino Freire, que ensaiou uma primeira edição no ano passado, em conjunto com a colega Maria Alzira Brum Lemos, homenageando o poeta Glauco Mattoso. Alguns ajustes depois, a segunda edição chega com entrada franca e uma homenagem ao poeta paulistano Roberto Piva.

Para comemorar, a primeira festa levou ao Centro Cultural b_arco, nesta quinta-feira, nomes de peso no circuito alternativo (ou nem tão alternativo) paulistano, como Chacal, Ivana Arruda Leite, Wander Wildner, Ferréz, Clarah Averbuck e Fernanda D’Umbra. O evento segue com diversos lançamentos de livros, debates envolvendo temas como ficção latino-americana, romance policial e preconceito – aproveitando as comemorações do Mês da Consciência Negra.

Enquanto o fotógrafo Eder Chiodetto apresenta sua exposição “O Lugar do Escritor”, Fabiana Cozza e Marcelino Freire dão o ritmo da balada, com o espetáculo “Cantos Negreiros”. E o encerramento fica por conta de Lirinha, do Cordel do Fogo Encantado, num ensaio aberto do seu primeiro trabalho solo, o espetáculo literomusical Mercadorias e Futuro, título também do seu primeiro romance, ainda inédito.

Como toda balada que se preze, essa terá uma ressaca, e das boas: no dia 19, Mario Bellatin, um dos mais cultuados escritores latino-americanos, fala sobre a filosofia da Escola Dinâmica de Escritores, criada e dirigida por ele na Cidade do México. E, no dia 26, o grande destaque é a presença do escritor Luis Fernando Veríssimo, que fecha o ciclo de palestras. Os dois estarão no Centro Cultural b_arco.

Veja a programação completa no site: http://www.baladaliteraria.org/home.html